Diário
Terça 11 de Agosto, 2020
Cataplasma de Bardana
Acredito que a melhor medicina é a que está bem perto de ti, se possível no teu jardim.
Já várias vezes me perguntaram se vale a pena tanto trabalho a cultivar, cuidar, colher, secar as plantas do meu jardim, para depois preparar as minhas próprias fórmulas medicinais.
A resposta é simples e rápida: SIM!
O valor e a preciosidade dessas plantas é imensurável.
O que recebo não é apenas a planta seca no final, que muitas vezes, é muito pouca para os fins que lhes gostaria dar. Mas mais que tudo é a conexão e intimidade que vou estabelecendo com cada uma.
Cada passo é realizado com intenção e muito amor segundo práticas e rituais que respeitam a Mãe Terra e toda a Natureza.

Cada planta me vai chamando, a seu tempo... não quando quero, mas quando mais preciso, Ela aparece mais forte no meu caminho... E como é bela a sua medicina!
Uma medicina que vai além dum simples preparado medicinal... é amizade, é amor, é cuidado!
Eu estou para Ela, mas Ela está incondicionalmente para mim!
Haverá melhor presente?!

E hoje venho falar-vos da Bardana.
Semeei-a pela primeira vez este ano, sabendo que a sua medicina é muito valiosa.
Germinou e começaram a crescer as suas grandes e formosas folhas.



A bardana, Arctium lappa, é originária da Europa, mas muito comum no Japão. Faz parte da Medicina Tradicional Chinesa e é uma planta perene.
É uma plana usada na alimentação pelo seu valor nutritivo, muito famosa em pratos tradicionais japoneses.
Também tem sido utilizada terapeuticamente na Europa, América do Norte e na Ásia durante centenas de anos.

Já os gregos antigos utilizavam a bardana como medicina e na Idade Média, esta planta estava em diversas fórmulas de cura.
Os chineses e japoneses a utilizam, há séculos, tanto na medicina, como na sua alimentação.
Os índios Americanos faziam doces fervendo o seu caule em xarope de ácer.

No herbalismo popular, a bardana seca (em especial suas raízes e folhas) é considerada diurética, diaforética, excelente depurativo do sistema hepático e agente de purificação do sangue (excelente para eliminar os metais pesados do sangue resultantes da quimioterapia).

O óleo de bardana das suas raízes e folhas é atualmente usado na Europa e na América para saúde e crescimento dos cabelos e para tratamento do couro cabeludo.


A folha da bardana pode ser usada externamente − esmagada e aplicada como cataplasma diretamente sobre a pele. Tem ação bactericida (contém um composto antibiótico semelhante à penicilina), e antimicótica. É um remédio eficaz contra inúmeras doenças de pele, como dermatose húmida e purulenta, acne, eczema, seborreia da face ou do couro cabeludo e herpes simples.

A sua eficácia nas afeções da pele pode ser explicada pela presenca do princípio ativo antibiótico eficiente sobre as bactérias Gram positivas, como os estafilococos e estreptococos, sendo muito ativo em afeções do tipo furunculose e acne; permitindo a cicatrização de muitas feridas e ulcerações. Tem acão fungicida, por isso eficiente para tratamentos de afeções no trato genital.



Devido à sua capacidade de neutralizar venenos, é utilizada para acalmar a dor e a tumefação produzidas por picadas de insetos.
E foi para este fim que Ela recentemente se fez mais presente na minha vida.

Num dia bem quente a desfrutar o sol nas margens dum belo lago Suíço, fui mordida por uma formiga. A picada doeu bastante, mas como de seguida mergulhei nas águas frias do lago, a dor passou.
Dois dias depois começou a criar uma enorme inflamação, acompanhada de dor.
Como já tenho uma experiência nada agradável com picadas de insectos fiquei logo muito atenta.

No ano passado, uma picada de aranha levou-me ao hospital e a tomar antibiótico. Foi uma experiência que me trouxe lições, mas de certa forma marcou o meu verão de 2019.
Até ao momento, nenhuma picada de insecto do meu jardim causou qualquer incómodo grave... as complicações parecem aparecer quando estou longe do meu lar. :)

Mas o que desejo partilhar aqui é a minha experiência com cataplasma de folhas de bardana frescas para a dor e inflamação criada pela picada da formiga.
Logo após a primeira aplicação começou a diminuir o perímetro da vermelhidão e o ponto central da picada ficou mais concentrado.
Apliquei juntamente com mel de lavanda, uma vez que o tinha preparado recentemente e sei que ambos, mel e lavanda, são bons para este casos.

Como fiz o cataplasma das folhas de bardana?
Simples, cortei uma folha fresca depois de pedir permissão à planta.
Com ajuda dum almofariz, esmaguei as suas folhas com intenção e entoando o mantra de Tara Verde!

Misturei um pouco do sumo verde e da folha esmagada com uma colherzinha de mel de lavanda para criar uma pasta.
Essa pasta coloquei diretamente sobre a pele afectada.
Durante este processo nunca usei utensílios de metal ou plástico... mas pode-se recorrer à cerâmica, vidro, barro ou madeira.

A dor foi diminuindo ao longo do dia, conforme ia fazendo mais aplicações, mas agora sem o mel e apenas a planta.

No dia seguinte o ponto da picada ainda estava bastante vermelho, mas não tinha calor ou vermelhidão à volta.
Contudo sentia bastante comichão.

Repeti o processo, mas agora usei todo material esmagado numa única compressa que apliquei e deixei por várias horas.
Preparei chá de folha fresca de Bardana que é óptimo depurador do sangue e tomei 3 chávenas de chá ao longo do dia. Caso alguma toxina tivesse passado para a corrente sanguínea, iria ser eliminada pela ação da Bardana.

Logo a seguir à aplicação da compressa, a comixão quase que desapareceu.
Ao final do dia, apenas o ponto da picada estava vermelho.

Nos dias seguintes não senti necessidade de voltar a repetir a aplicação, uma vez que a comixão era muito leve e a mordida já estava pouco vermelha.

A minha relação com a Bardana ainda está no começo...
No final da estação irei colher as suas folhas e raízes para preparar tinturas e óleos.
Também tenho curiosidade de experimentar cozinhar as suas raízes, tal como é muito comum na cozinha japonesa.

E o seu espiríto ou deva, sem dúvida, que já está na minha vida!

E tu, conheces a Bardana? Já tens alguma experiência com esta planta e o seu deva?


Om Tare Tuttare Ture Soha
Escreve um comentário
Cármen Azevedo Azevedo
Olá Ana, da Bardana nunca tinha ouvido falar,mas já tive um episódio semelhante com uma aranha e consegui superar com folhas e infusões de malva. Aproveito para te parabenizar pela tua união e desejar muito amor e luz! Bjs
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