Diário
Terça 26 de Junho, 2018
Danço os meus limites e sinto-me ir além...
Em Yoni Mudra, coloquei as mãos no meu ventre e comecei a respirar para esse espaço físico-energético do meu corpo.
Senti a sua pulsação e senti-me viva... conectei-me com a minha intenção para essa noite.
Comuniquei em voz alta qual era a minha intenção relacionada com o Chakra da Raíz. A voz, sem hesitação e sem timidez, saiu das entranhas do meu ventre e entrou no espaço criado pelo circulo de mulheres.
Senti que cada palavra estava a ser engolida por esse espaço, dissolvendo-se em puro amor. Algo de muito sagrado – fora da forma ou do conceito - soprou gentilmente ao meu coração e estremeci. As minhas lágrimas começaram a escorrer... senti-me a fundir no abraço invisível da irmandade.
Não conhecia nenhuma mulher, não sabia os seus nomes ou de onde vinham ou mesmo o que faziam. Mas senti-me sentida, relaxei, entreguei-me... cheguei a casa!

Depois de todas partilharem em circulo as suas intenções, começamos a fazer as respirações de ativação da chama sagrada. A música envolvia-nos a todas, sem excluir, sem fazer distinções... Cada mulher se expressava diferente, na sua integridade pessoal, ora mais expansiva ora mais restrita.
Começamos a dançar ativando os nossos pés, as nossas pernas... começando a sentir a ligação aos nossos corpos físicos e à Mãe Terra.
A batida da música é mais forte e convida-nos a movimentos mais tribais.
As células vibram, a voz solta-se, o cabelo despenteia-se.

Danço o ritmo da música, mas não só...
Danço com o corpo, mas não só...
Danço as minhas alegrias, mas não só...
Danço tudo o que sou, mas também o que não sou...
Danço os meus limites e sinto-me ir além...


Voltamos a fazer as respirações de ativação. Ganhamos fôlego e nova energia para continuar... agora ainda mais forte.
Morro, renasço e volto a morrer.... para instantes mais tarde, voltar a renascer.
Falsas identidades dissolvem-se.
Crenças limitadoras são queimadas.
A mente apaga-se e só o corpo fala.
As chamas sobem como serpentes vinda da Terra.
Deixo queimar tudo o que não me serve mais...
A transpiração escorre como uma cascata purificadora.
E a respiração sopra os ventos da mudança.

Novamente paramos para fazer as respirações de ativação.
Relembramos a nossa intenção.
Sentimos o nosso chakra da raiz a abrir-se.

E como numa espiral subimos mais um pouco... na entrega, na libertação, na transmutação. A alquimia interna acontece.


Começamos a parar. Casamos o sagrado feminino e o sagrado masculino no nosso coração. E descemos essa união sagrada ao chakra raiz para selar a prática.

Relaxamos. Repousamos. Integramos.


Sinto-me a renascer. O meu alento entoa sons de despertar. O meu corpo move-se lentamente. Abro os olhos.

Regressamos ao circulo fechado. Respiramos juntas. Sentimos juntas.
Cada uma partilha o seu sentir...
Eu entrego também a minha gratidão, deixando-me abraçar pelos olhares de cada mulher... não me apetece ir embora. Mas agora sim, estou preparada para ir.



Aula de Kundalini Dance, Basel, orientada pela querida irmã Jelena
*Desejosa pela minha certificação e por partilhar esta maravilhosa prática alquímica com a minha irmandade portuguesa!
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Fátima Passos
Querida Ana é tão inspirador e profundo o que escreves que eu própria vibro com as tuas palavras e fico com sede de saber mais e mais. Aprende muito e ensina nos a vibrar ainda mais. Bjokinhas e um grande Xiiii
Sónia isidro isidro
(pegando na última frase do teu artigo) E nós desejosas para receber esses ensinamentos :)) querida Ana. Esta tua partilha, com palavras tão intensas quanto belas, revelam tanta paixão. Inspirador! Estou desejosa por poder vir a aprender contigo, brevemente :)
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