Sobre Mim

Tímida e sonhadora, vivi grande parte da infância entre o silêncio, a natureza e um mundo interior muito vivo.
Gostava de observar. De estar entre árvores. Observar a quietude das poças de água. De imaginar, sentir e perceber aquilo que nem sempre sabia explicar.

Talvez tenha começado aí uma curiosidade que continua comigo até hoje:
compreender a vida não apenas através das ideias, mas através da experiência vivida.


Mais tarde, essa curiosidade levou-me à Biologia e à investigação científica.

Mas levou-me também muito mais longe...


Durante algumas décadas viajei e estudei em diferentes lugares do Oriente e das Américas, aproximando-me de tradições e práticas como o Ayurveda e o Yoga, o Budismo Tibetano e Mindfulness, o Tao, o Tantra e diferentes conhecimentos ligados às mulheres e à cultura Maya.
Foram muitos anos de procura, aprendizagem, prática e transformação.

Algumas dessas linguagens continuam comigo.
Outras foram ficando pelo caminho.
E muitas mudaram profundamente de lugar.

Com o tempo, fui percebendo que não precisava de reunir cada vez mais respostas ou técnicas.
Precisava de aprender a estar mais perto da experiência.

Do corpo.
Das relações.
Dos ciclos.
Da natureza.

Daquilo que não compreendo imediatamente.
E também daquilo que não precisa de ser transformado só porque é desconfortável.
Foi desse percurso que começou a ganhar forma aquilo a que hoje chamo Escuta Matricial.
Não como uma resposta final ou um método fechado, mas como uma forma de acompanhar a experiência a partir do corpo, da presença e da relação.

Hoje, o meu trabalho cruza diferentes linguagens:
a Escuta Matricial, o Ma Yoga, os Estudos Maya (ou Astrologia Maya), a Autoconstelação Interna na Água e práticas de consciência corporal, que encontram um território comum:

aprender a habitar a experiência.

Habitar não significa permanecer sempre centrada.

Também nos perdemos.
Interpretamos demasiado depressa.
Tentamos controlar.
Procuramos respostas.
Repetimos movimentos conhecidos.

Habitar inclui aprender a reconhecer tudo isso e, pouco a pouco, encontrar novamente chão.

É também assim que procuro acompanhar as mulheres que chegam ao meu trabalho:
não oferecendo uma verdade sobre aquilo que estão a viver, mas criando condições para que possam aproximar-se da sua própria experiência com mais presença, curiosidade e discernimento.

Continuo profundamente ligada à natureza, às montanhas, ao fogo e à água, à Terra.

Gosto da dança, do movimento, do silêncio, dos trabalhos feitos com as mãos e de uma vida suficientemente simples para continuar a reparar no que acontece à minha volta.

E continuo a aprender.

Com aquilo que vivo.
Com as mulheres que acompanho.
Com os animais.
Com as relações.
Com os erros e as mudanças.
Com as perguntas que permanecem abertas.

Talvez seja essa a parte mais viva deste caminho:
não chegar a um lugar onde já sabemos, mas desenvolver intimidade suficiente com a vida para continuarmos a aprender com ela.

Se alguma coisa do meu percurso tocar o teu, não precisa de significar que os nossos caminhos sejam iguais.

Talvez seja apenas um convite para escutares um pouco mais de perto aquilo que já está a acontecer no teu.

Ana Cristina Taboada