Diário
Terça 23 de Fevereiro, 2021
O sol quentinho de final de inverno aquece o meu rosto e o meu sorriso emana contentamento interno. Uma leve brisa fresca arrepia a minha pele, os poros respiram vitalidade. Olho para os meus pés em contacto com a terra e sinto as minhas raízes a penetrar os solos profundos. O sangue pulsa dentro das minhas veias, ainda que o coração bata de mansinho. Algo vibra por todo o meu corpo e sinto-me viva!
À minha volta as primeiras flores desabrocham... prímulas, margaridas e muitas outras, incluindo as tulipas que ainda não é tempo delas, mas crescem com toda a sua força. O verde começa a predominar depois de uma longa noite fria.
Após um movimento descendente até às profundezas da terra escura, agora começam os primeiros sinais de energia ascendente.
Regresso à minha cozinha e começo a fazer alquimia preparando uma mousse de abacate com cacau puro, o mesmo que uso para as cerimónias de Cacau, mas numa quantidade inferior.
TODOS OS ARTIGOS DO DIÁRIO
Terça 19 de Janeiro, 2021
No passado sábado senti um enorme desejo em ir comprar uma nova planta de interior para o meu Templo. Talvez convidada pela energia Maya de Lamat que iniciava nesse dia.
Haviam muitas, tão belas, mas uma chamou-me mais. Chama-se Aeschynanthus com lindas flores vermelhas.
Assim que cheguei a casa pesquisei mais sobre esta planta, não só para a conhecer mais e assim cuidar melhor, mas também perceber o motivo que me fez sentir tão atraída por ela.
Parece que tem origem na Malásia e chamam-lhe Planta-Batom porque as suas flores recordam um batom, neste caso bem vermelho :)
Toda a beleza, sensualidade e radiância que ela emana são notórias, o que estaria mais oculto seria a mensagem profunda que ela me trazia.
Terça 12 de Janeiro, 2021
Não existe vez que prepare este arroz doce e não me recorde da minha avó. Aqueles domingos em família que o mais especial era sempre o delicioso e mais saboroso arroz doce do mundo no final da refeição. Recordo-me do cheiro e de eu mesma, tantas vezes, decorar com pó de canela.
O arroz doce medicinal não é igual ao dela e também não é para ser. Mas é um arroz doce também muito especial porque é medicinal e, com todo o respeito, mesmo com as suas diferenças, não fica atrás ao da minha avó. Talvez porque a invoco e ela me ajuda, em todo o preparo, a impregna-lo de boas doses de carinho, amor e dedicação como ela tão bem o sabia fazer. Além de eu usar ingredientes orgânicos e utensílios de qualidade... E não faltarem boas intenções e muitos mantras!
Terça 05 de Janeiro, 2021
Já sentes a frescura do novo ano?
Por aqui os dias são, pouco a pouco, cada vez maiores. Mas o frio aperta e o sol anda tímido.
O Inverno governa e sussurra: tem calma, abranda que ainda falta até que as cores tragam magia aos campos.
Agora a magia é outra... a magia de saber parar, recolher e sentir o aconchego do lar.
Acendem-se as lareiras e o calor convida a saber estar e a saber ser, com presença amorosa e escuta profunda.
Não é hora de mexer na Terra. Como também não é hora de andarmos muito agitados.
O movimento é para dentro... meditar, contemplar, reflectir!
Terça 29 de Dezembro, 2020
Umas semanas antes olhei atentamente para a minha Mandala Lunar pessoal e verifiquei que o solstício seria segunda, dia 21, também dia de Tara e o início do ciclo maya IK.
Os dias de Tara, 8º dia do calendário lunar, são sempre dias muito auspiciosos e recomenda-se fazer a sadhana completa a Tara Verde com oferendas renovadas e Tsog (noutro artigo falarei sobre o Tsog).
O ciclo Maya Ik é um período de 13 dias em que as forças cósmicas e telúricas nos convidam a recorrer à força da libertação para ganharmos mais espaço no nosso ser e vidas.
O solstício por si só já é uma data muito especial que deve ser ritualizada, mas combinada com o Dia de Tara e início de Ik, então seria muito mais especial.
Os meus olhos arregalaram! E no meu coração senti a certeza que não podia deixar passar esta oportunidade para entrar em “trabalhos” espirituais.
Terça 15 de Dezembro, 2020
À visão da mente racional, superficial e extremamente prática, um altar não tem qualquer significado e função. É puramente um desperdício de tempo, energia e dedicação. Mas na visão tântrica e nas tradições ancestrais vive nele um significado espiritual profundo e vasto.
Só quem vive essa experiencia reconhece com o coração o que realmente significa e os seus benefícios...
Se ao contemplar apenas vir um conjunto de objetos com valor puramente material ou estético, esse altar aparece vazio aos meus olhos e não enche o coração.
Mas, se ao contrário, independentemente do valor material ou do meu conceito de estética, sentir devoção, sacralidade, sabedoria, beleza, então estou perante um lugar de poder. Assim deve esse espaço ao qual lhe damos o nome de altar.
Terça 08 de Dezembro, 2020
Recordo-me da minha primeira viagem à Índia em 2007 quando caminhei pelos sítios mais inóspitos desta terra sagrada... Foram dois meses de grandes aventuras, descobertas e despertares. Se há algo que retenho no coração são as cores, os cheiros e os sabores intensos tão característicos de cada território indiano.
Mesmo quando andava pela India mais Tibetana, atravessando os vales Kinaur e Spiti dos majestosos Himalaias, chegando a estar a 10km do Tibete, em altitudes que o ar é rarefeito e as montanhas estão nuas, mesmo aí os sentidos despertavam.
 Talvez porque se respira mistério, sente-se ancestralidade e pisa-se terrenos de poder. Ou simplesmente porque despertou em mim uma familiaridade tão profunda que parece irreal.

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